Estruturação de planejamento sucessório: como organizar a transmissão patrimonial com segurança jurídica

Entenda como estruturar o planejamento sucessório, reduzir conflitos e organizar a transmissão patrimonial com segurança jurídica e eficiência.

A estruturação de um planejamento sucessório representa uma medida relevante para a organização e a continuidade do patrimônio ao longo das gerações. Ainda assim, é recorrente que esse processo seja postergado, muitas vezes sendo tratado apenas após a ocorrência de eventos que exigem a abertura de inventário, o que tende a gerar maior complexidade jurídica, custos adicionais e conflitos entre herdeiros.

Sob a perspectiva jurídica, a sucessão não se limita à mera transferência de bens. Trata-se de um processo que envolve aspectos patrimoniais, societários, tributários e familiares, cuja condução inadequada pode comprometer tanto a estabilidade das relações quanto a eficiência na gestão do patrimônio.

A importância da antecipação no planejamento sucessório

A antecipação do planejamento sucessório permite que a transmissão patrimonial ocorra de forma estruturada, observando os limites legais e reduzindo a exposição a riscos. Na ausência de organização prévia, o processo sucessório tende a ser conduzido por meio de inventário, judicial ou extrajudicial, o que pode resultar em maior morosidade e custos operacionais elevados.

Além disso, a inexistência de planejamento pode favorecer a ocorrência de conflitos entre herdeiros, especialmente em contextos que envolvem bens indivisíveis ou participação societária. Nesses casos, a falta de definição prévia sobre critérios de administração, uso e divisão patrimonial pode gerar insegurança jurídica e impactar diretamente a preservação do patrimônio.

Elementos jurídicos relevantes na estruturação patrimonial

A elaboração de um planejamento sucessório exige análise técnica e individualizada, considerando não apenas a composição do patrimônio, mas também as relações familiares e eventuais estruturas societárias existentes.

Entre os aspectos que demandam avaliação, destacam-se a natureza dos bens, o regime de bens aplicável às relações familiares, a existência de participações societárias, o perfil dos herdeiros e a incidência tributária sobre a transmissão. Além disso, questões relacionadas à governança e à tomada de decisão assumem papel relevante, especialmente em patrimônios que envolvem atividade empresarial ou administração compartilhada.

Essa abordagem integrada permite maior previsibilidade na condução da sucessão e reduz a necessidade de intervenções corretivas no futuro.

Instrumentos jurídicos aplicáveis ao planejamento sucessório

O ordenamento jurídico brasileiro disponibiliza diferentes instrumentos para a organização antecipada da sucessão patrimonial. A escolha adequada dessas ferramentas depende da natureza do patrimônio, dos objetivos pretendidos pelo titular dos bens e do contexto familiar envolvido.

Entre os mecanismos mais utilizados, encontram-se o testamento, a doação em vida com cláusulas restritivas, a constituição de holding familiar, bem como a formalização de acordos societários e intrumentos de governança. Cada um desses instrumentos apresenta efeitos específicos, tanto sob o ponto de vista jurídico quanto tributário, o que exige avaliação técnica para sua correta aplicação e integração.

A holding familiar como instrumento de organização patrimonial

A constituição de holding familiar tem sido amplamente utilizada como estratégia de organização patrimonial e sucessória, sobretudo em estruturas que envolvem ativos imobiliários ou participação em empresas.

Por meio dessa estrutura, é possível centralizar a titularidade dos bens e estabelecer regras claras de administração, distribuição de resultados e sucessão, o que contribui para maior previsibilidade na gestão do patrimônio. Além disso, a transferência de quotas ou ações pode ser realizada de forma planejada, respeitando os limites legais e as diretrizes definidas pelos próprios membros da família.

No entanto, a adoção dessa estrutura deve ser precedida de análise criteriosa, considerando seus impactos societários, tributários e operacionais, a fim de evitar distorções ou riscos não previstos.

Aspectos tributários na transmissão de bens

A dimensão tributária assume papel relevante na estruturação do planejamento sucessório. A transmissão de bens, seja por herança ou doação, está sujeita à incidência de tributos, como o ITCMD, cuja regulamentação e alíquotas variam de acordo com o estado.

Além disso, determinadas operações de reorganização patrimonial podem gerar reflexos fiscais adicionais, especialmente quando envolvem avaliação de bens, integralização de capital ou alteração de titularidade. Nesse contexto, a ausência de planejamento pode resultar em maior carga tributária e dificuldades na liquidação das obrigações fiscais decorrentes da sucessão.

A análise prévia desses impactos permite maior previsibilidade e contribui para a adoção de estruturas juridicamente mais adequadas.

Riscos associados à ausência de planejamento sucessório

A falta de planejamento sucessório tende a ampliar a exposição a riscos jurídicos e patrimoniais. Entre os efeitos mais recorrentes, estão a judicialização do processo sucessório, a indisponibilidade temporária de bens e a ocorrência de conflitos familiares prolongados.

Em situações que envolvem atividade empresarial, esses riscos podem se intensificar, resultando em descontinuidade da gestão, perda de valor econômico e dificuldades na tomada de decisões estratégicas, especialmente quando não há definição clara de sucessores ou de critérios de governança.

Dessa forma, a sucessão não deve ser compreendida apenas como um evento futuro, mas como parte integrante da organização patrimonial e da estratégia de preservação de ativos.

Planejamento sucessório e governança patrimonial

Quando estruturado de forma adequada, o planejamento sucessório também atua como instrumento de governança, especialmente em famílias que possuem patrimônio relevante ou participação em atividades empresariais.

A definição prévia de regras relacionadas à administração dos bens, à participação dos herdeiros e aos processos decisórios contribui para maior estabilidade nas relações e reduz a probabilidade de conflitos. Além disso, favorece a continuidade da gestão e a preservação do patrimônio ao longo das gerações.

Sob essa perspectiva, o planejamento sucessório deixa de ter caráter exclusivamente patrimonial e passa a integrar uma abordagem mais ampla de organização e governança.

Considerações finais

A estruturação do planejamento sucessório envolve múltiplas dimensões jurídicas, tributárias e familiares, exigindo análise técnica e alinhamento com as particularidades de cada patrimônio.

A antecipação desse processo permite maior organização na transmissão de bens, redução de riscos e maior previsibilidade na condução das relações patrimoniais e empresariais.

Nesse contexto, compreender os instrumentos disponíveis, seus limites legais e seus efeitos práticos é medida relevante para a preservação do patrimônio e para a manutenção da segurança jurídica ao longo do tempo.

PL nº 2.645/2019 que disciplina a diária inaugural em meios de hospedagem.

Esse artigo analisa o PL nº 2.645/2019 do Senado Federal, que busca regular a

primeira diária da hospedagem nos hotéis. Durante a tramitação, a matéria deixou o CDC e passou a ser incorporada à Lei nº 11.771/2008 (Lei Geral do Turismo), por meio de substitutivo aprovado na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, com o seguinte teor:

“Art. 23. Caput, da Lei 11.771/2008…

§ 4º Entende-se por diária o preço de hospedagem correspondente à utilização da unidade habitacional e dos serviços incluídos, no período de 24 (vinte e quatro) horas, compreendido nos horários fixados para entrada e saída de hóspedes, observadas as seguintes determinações:

I – a diária inaugural não poderá ter duração inferior a 21 (vinte e uma) horas, sob pena de redução proporcional do preço cobrado pelo fornecedor;

II – o contrato de hospedagem para 1 (uma) diária deverá prever o valor dessa diária com proporcionalidade, assim como a possibilidade de diferentes horários de check-in e de check-out do hóspede;

III – no caso de contratação de mais de 1 (uma) diária, o descumprimento do disposto no inciso I deste parágrafo deverá gerar redução proporcional do preço cobrado ao hóspede pelo valor da diária em que tiver havido o descumprimento por culpa exclusiva do fornecedor.”

Segundo consta na exposição de motivos do projeto de lei, a proposta busca proteger o consumidor quanto ao tempo efetivo de hospedagem na primeira diária, por questões operacionais, limitando os horários de entrada e/ou saída. Embora a diária seja subentendida como período de 24 horas, a prática de mercado utiliza um período menor no primeiro dia de hospedagem, por necessidades operacionais.

O PL determina que a primeira diária respeite o período mínimo de 21 horas. Caso isso não seja obedecido por culpa exclusiva do estabelecimento, deverá haver desconto proporcional sobre a dita diária e não sobre todo o período contratado. O dever de redução incidirá apenas sobre a diária afetada e somente se configurada culpa exclusiva do fornecedor. Por outro lado, não haverá direito à redução quando o atraso decorrer de fatores alheios à responsabilidade do hotel, como atraso de voo ou chegada tardia por decisão do próprio hóspede.

O projeto também determina que, nos contratos de uma única diária, deverá haver previsão expressa de proporcionalidade do valor e possibilidade de diferentes horários de entrada e saída, exigindo revisão dos contratos e termos de reserva para maior transparência. A eventual entrada em vigor da lei tende a ampliar o risco jurídico do setor, pois cria critério objetivo e facilmente verificável acerca de seus direitos, facilitando reclamações administrativas e ações individuais, especialmente em casos de atraso na liberação do quarto. Há ainda risco de judicialização coletiva caso se constate prática reiterada de descumprimento, sobretudo por redes ou estabelecimentos com políticas padronizadas.

Outro ponto sensível é a interpretação da “culpa exclusiva do fornecedor” prevista no inciso III, que poderá gerar custos de indenização ao setor hoteleiro, se decorrentes de envolvendo atrasos na limpeza, manutenção, overbooking ou outras falhas internas. A ausência de registros claros sobre a liberação da unidade poderá dificultar a defesa em eventual demanda.

Em síntese, o Projeto de Lei nº 2.645/2019 estabelece novo parâmetro objetivo de responsabilidade e cria uma regra clara sobre o tempo mínimo da diária inaugural, o que pode aumentar o número de reclamações e ações judiciais. Para reduzir riscos, acompanhar a evolução da jurisprudência, revisar contratos, ajustar procedimentos internos e manter registros organizados das operações. A adoção de medidas preventivas antes da entrada em vigor da norma é recomendável para diminuir a exposição jurídica dos hotéis.

Atualmente, o Projeto de Lei nº 2.645/2019 encontra-se em estágio avançado de tramitação no Senado Federal. Em 04 de fevereiro de 2026, a Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC) aprovou o texto final do substitutivo, estabelecendo que a diária inaugural não poderá ter duração inferior a 21 horas, sob pena de redução proporcional do preço.

Como a matéria foi apreciada em caráter terminativo, abre-se prazo para eventual recurso ao Plenário do Senado; caso não haja recurso, o projeto será considerado aprovado e seguirá para análise da Câmara dos Deputados, podendo posteriormente ser encaminhado à sanção presidencial. Diante desse estágio, recomenda-se que o setor hoteleiro acompanhe a tramitação e avalie possíveis ajustes contratuais e operacionais.

Cláudia A. Stegues P. de Loyola

OAB/PR 54.626

AS MUDANÇAS TRAZIDAS PELA LC Nº 224/2025 E OS REFLEXOS NO REGIME DO LUCROPRESUMIDO

Por Thauany Pires Machado e Matheus Belisario Facco Piccinin*

Em 26 de dezembro de 2025, foi publicada a Lei Complementar nº 224/2025, que promoveu a redução linear de 10% dos benefícios fiscais vigentes no âmbito federal.

Além disso, a norma aumentou a tributação incidente sobre determinados setores específicos, como fintechs, operações com juros sobre capital próprio (JCP) e apostas de quota fixa, conhecidas como “bets”.

A lei integra um conjunto de medidas voltadas à redução de gastos tributários e ao aumento da arrecadação, produzindo impactos relevantes em diferentes regimes de tributação.

A redução linear dos benefícios fiscais alcançou diversos tributos federais, entre os quais se destacam o PIS, a Cofins, o PIS-Importação, a Cofins-Importação, o IRPJ, a CSLL, o IPI, o Imposto de Importação e a contribuição previdenciária devida pelo empregador, pela empresa e pela entidade a ela equiparada. Trata-se de uma medida ampla, que repercute diretamente no custo tributário das empresas, independentemente do setor econômico em que atuam.

Como consequência direta dessas alterações, alguns segmentos passaram a sentir de forma mais intensa os efeitos da nova legislação. Entre eles estão a indústria farmacêutica, a indústria alimentícia, os frigoríficos, as atividades ligadas à produção agrícola, bem como o transporte rodoviário regular de passageiros intermunicipal.

Além da redução dos benefícios fiscais, a Lei Complementar nº 224/2025 trouxe uma mudança relevante para as empresas optantes pelo regime do Lucro Presumido. A principal inovação foi a criação de um acréscimo de 10% nos percentuais de presunção do IRPJ e da CSLL para as pessoas jurídicas cuja receita bruta anual ultrapasse o montante de R$ 5 milhões. Essa alteração afeta diretamente a base de cálculo dos tributos e, consequentemente, a carga tributária dessas empresas.

De acordo com a legislação, esse acréscimo somente pode ser aplicado quando a receita bruta anual, considerada no ano-calendário, exceder o limite estabelecido. A lei não prevê a aplicação proporcional, mensal ou trimestral do valor de R$ 5 milhões, adotando um critério global, cuja verificação deve ocorrer apenas ao final do exercício. Esse aspecto é especialmente relevante, pois a norma não disciplina apenas o valor do tributo, mas também o momento em que a majoração pode ser exigida.

Com o objetivo de regulamentar essa nova sistemática, a Receita Federal editou a Instrução Normativa RFB nº 2.306/2026, que promoveu alterações nas normas aplicáveis ao Lucro Presumido. A controvérsia surge quando a regulamentação passa a adotar uma lógica distinta daquela prevista na Lei Complementar, ao introduzir controles periódicos da receita e o fracionamento do limite anual de R$ 5 milhões. Na prática, o Fisco passou a tratar esse limite como se pudesse ser distribuído ao longo do ano, criando marcos intermediários para a verificação do excesso de receita e possibilitando a aplicação da majoração antes do encerramento do ano- calendário.

Essa interpretação administrativa é objeto de questionamentos porque, no sistema tributário brasileiro, elementos essenciais da tributação, como o fato gerador, a base de cálculo e o critério temporal da incidência, somente podem ser definidos por lei, conforme o princípio da legalidade tributária previsto na Constituição Federal.

Quando uma instrução normativa altera a forma de verificação da condição legal estabelecida pelo legislador, ela deixa de apenas executar a lei e passa a interferir na própria regra de incidência do tributo.

Diante desse cenário, compreender a diferença entre o que foi previsto na Lei Complementar nº 224/2025 e o que foi estabelecido pela Instrução Normativa RFB nº 2.306/2026 é essencial para a adequada avaliação de riscos e para o correto planejamento tributário.

* Thauany Pires Machado – Estudante de Direito – Assistente Jurídico no escritório Motta Santos & Vicentini Advocacia Empresarial.

* Matheus Belisario Facco Piccinin – OAB/PR n° 100.229 – Sócio no escritório Motta Santos & Vicentini Advocacia Empresarial.

Os principais desafios para 2026 diante da Reforma Tributária e da preparação para a transição de tributos

A Reforma Tributária inicia a transição em 2026 com CBS e IBS. Entenda os desafios operacionais, tecnológicos e de compliance para as empresas.

A Reforma Tributária inicia uma nova fase em 2026 com a implementação gradual da CBS e do IBS. A transição exigirá atenção redobrada das empresas, especialmente no que diz respeito ao ajuste de processos, sistemas e conformidade tributária. O período de testes antecipa etapas críticas que deverão estar plenamente funcionais quando os novos tributos substituírem o modelo atual.

1. Início da transição: notas fiscais com IBS e CBS

    Segundo o Monitor Mercantil, as notas fiscais emitidas a partir de 2026 deverão incluir campos específicos para IBS e CBS, ainda que em caráter experimental. As alíquotas iniciais serão de 0,9% (CBS) e 0,1% (IBS), funcionando como um ambiente de teste para contribuintes e sistemas governamentais.

    2. Adaptação tecnológica e integração de sistemas

    A mudança impacta diretamente ERPs, softwares fiscais, plataformas de emissão de notas e rotinas internas de apuração. As empresas precisarão ajustar cadastros, processos de faturamento e ferramentas de controle tributário para operar simultaneamente no modelo antigo e no modelo novo.

    3. Readequação de processos e compliance tributário

    A transição demanda revisão de fluxos internos, validação de informações e alinhamento de rotinas contábeis. A convivência entre as legislações exigirá precisão para evitar inconsistências, autuações e falhas na escrituração fiscal.

    4. Impacto operacional: duas realidades tributárias ao mesmo tempo

    Em 2026, as empresas continuarão recolhendo tributos tradicionais enquanto se adaptam ao novo sistema. Essa duplicidade gera complexidade operacional, necessidade de treinamento e revisão constante de regras de enquadramento.

    5. Planejamento antecipado como fator de segurança

    A preparação para 2026 deve incluir diagnóstico interno, mapeamento de riscos e revisão de contratos que poderão ser afetados pela nova forma de tributação de bens e serviços. Antecipar adequações minimiza erros e garante conformidade na migração para o novo modelo.

    A transição da Reforma Tributária representa uma mudança estrutural profunda para o ambiente empresarial. O ano de 2026 será determinante para testar sistemas, validar rotinas e preparar equipes para uma nova lógica de tributação. Para atravessar essa fase com segurança, planejamento antecipado e acompanhamento especializado serão indispensáveis.

    Os Impactos da Reforma Tributária nas Empresas do Simples Nacional, Desafios e Oportunidades para o Segmento B2B

    Entenda como a Reforma Tributária afeta empresas do Simples Nacional no B2B e por que a decisão entre segregar IBS e CBS se tornou estratégica.

    Contexto geral da reforma tributária

    A reforma tributária aprovada pela Emenda Constitucional nº 132/2023 inaugura uma nova era para o sistema fiscal brasileiro, ao substituir cinco tributos PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por dois, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
    A medida tem como objetivo simplificar o sistema, aumentar a transparência e reduzir distorções econômicas. Entretanto, mesmo com o discurso de simplificação, os impactos para as empresas optantes pelo Simples Nacional, especialmente aquelas que atuam no segmento B2B business to business, poderão ser expressivos e exigirão atenção redobrada dos empresários.

    O que muda para o Simples Nacional

    O Simples Nacional foi mantido no texto constitucional, preservando sua lógica de unificação de tributos e de simplificação para micro e pequenas empresas. Contudo, a reforma cria uma nova dinâmica nas operações entre empresas. A principal mudança é a possibilidade de as optantes pelo Simples recolherem separadamente o IBS e a CBS nas operações com outras pessoas jurídicas. Essa opção tem como finalidade permitir que o comprador dessas empresas, muitas vezes de maior porte, possa aproveitar créditos desses tributos, algo que não será possível em sua plenitude se a empresa do Simples se mantiver integralmente no modelo anterior.

    O dilema estratégico para pequenas empresas

    Na prática, isso significa que o pequeno empresário passará a lidar com um dilema estratégico. Se continuar utilizando apenas o regime simplificado, sem o recolhimento de forma segregada de IBS e CBS, poderá perder competitividade frente a outros fornecedores que geram esses créditos, ou seja, empresas do lucro real, lucro presumido, ou mesmo outras empresas do Simples Nacional que recolherem IBS e CBS de forma segregada, cujas operações permitirão o aproveitamento integral de créditos.
    Por outro lado, se optar por segregar o IBS e a CBS, também terá a possibilidade de tomar crédito referente às operações que realizar com seus fornecedores, podendo baratear seu custo operacional. Da mesma forma, terá que assumir uma estrutura contábil e tecnológica mais complexa, além de controles fiscais mais rígidos, justamente o que o Simples buscava evitar.

    Impacto no B2C e impacto no B2B

    Essa decisão exigirá análise detalhada da estrutura de custos, margens de lucro e perfil dos clientes, pois em muitos casos poderá ser mais vantajoso recolher os novos tributos (IBS e CBS) de forma segregada, ou mesmo migrar para os regimes do Lucro Real ou Lucro Presumido, mesmo com aumento da carga administrativa.
    Enquanto as empresas que atuam no varejo B2C tendem a sofrer menos impacto, por negociarem diretamente com o consumidor final, que não se beneficia de créditos tributários, as empresas B2B sentirão fortemente essa mudança. O novo sistema cria um ambiente de seleção natural na cadeia produtiva, no qual fornecedores capazes de gerar crédito fiscal passam a ser preferidos, deixando em desvantagem as empresas que permanecerem no Simples sem adaptação. Esse movimento pode gerar um efeito cascata, estimulando a saída de muitas empresas do regime simplificado, especialmente nos setores de serviços técnicos, tecnologia e indústria.

    Oportunidades para quem se adapta

    Apesar dos desafios, o novo cenário também oferece oportunidades. A reforma induz à profissionalização e à implementação da gestão tributária, abrindo espaço para que empresas de menor porte que invistam em conformidade e planejamento fiscal se destaquem. O crédito digital previsto para o IBS e a CBS exigirá rastreabilidade completa das operações, o que tende a reduzir a informalidade e valorizar quem trabalha com transparência e controle.

    O período de transição e a importância do planejamento

    Durante o período de transição, que se estende até 2032, as empresas do Simples precisarão de planejamento e orientação especializada. Este será o momento ideal para revisar políticas de precificação, avaliar o impacto dos créditos de seus clientes e entender como posicionar-se dentro das novas cadeias de valor. O papel do assessor tributário torna-se essencial, não apenas para garantir a conformidade legal, mas para apoiar o empresário na tomada de decisões estratégicas com base em simulações e projeções realistas, e especialmente na adequação dos contratos que são firmados com seus clientes e fornecedores.

    Conclusão

    Em síntese, a reforma tributária não extingue o Simples Nacional, mas redefine sua relevância econômica. Para as empresas B2B, especialmente, o novo sistema impõe uma escolha inevitável, permanecer na simplicidade com menor competitividade ou adaptar-se à nova lógica de crédito e integração fiscal. O caminho mais vantajoso dependerá da maturidade de gestão e da disposição do empresário em investir em estrutura e planejamento. O que é certo é que o Simples, a partir da reforma, deixará de ser apenas um regime de tributação e passará a ser também uma escolha estratégica dentro de um ecossistema empresarial mais integrado e exigente.

    Helder Eduardo Vicentini – advogado, sócio do escritório Motta Santos & Vicentini Advocacia Empresarial

    REARP Entenda o Novo Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial da Lei 15.265/2025

    O REARP permite atualizar ou regularizar bens com regras específicas, prazos curtos e impactos tributários importantes para pessoas físicas e jurídicas.

    O que é o REARP?

    A Lei nº 15.265/2025 inaugurou o Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial (REARP), criando um mecanismo temporário para que pessoas físicas e jurídicas possam atualizar valores de bens ou regularizar patrimônios omitidos. O programa traz regras específicas, prazos restritos e impactos tributários relevantes, exigindo atenção de contribuintes que desejam aderir com segurança.

    O REARP é um regime que permite duas modalidades distintas:

    1. Atualização patrimonial, voltada para bens já declarados;
    2. Regularização patrimonial, destinada a bens ou direitos omitidos ou declarados com incorreções.

    A lei delimita critérios, alíquotas e condições para cada modalidade, além de estabelecer prazos firmes para adesão e normas de fiscalização.

    Atualização de bens como funciona

    A atualização é permitida para bens adquiridos até 31 de dezembro de 2024, desde que lícitos e já declarados ao Fisco.

    Pessoas físicas podem atualizar:
    Imóveis
    Veículos automotores terrestres, aquáticos ou aéreos

    Pessoas jurídicas podem atualizar:
    Imóveis do ativo permanente
    Bens móveis automotores registrados no ativo permanente

    As alíquotas da atualização são fixas:
    4% para pessoas físicas
    4,8% de IRPJ + 3,2% de CSLL para pessoas jurídicas

    Um ponto relevante é que os tributos pagos não podem ser utilizados como despesa de depreciação, o que impede qualquer abatimento futuro decorrente da atualização.

    Regras específicas e exceções

    A atualização não é permitida para bens que já tenham sido alienados antes da adesão.
    No caso de imóvel rural, somente a terra nua pode ser atualizada.

    Se o contribuinte vender o bem atualizado antes do prazo mínimo, os efeitos do REARP são desconsiderados:
    Imóveis vendidos em até 5 anos
    Bens móveis vendidos em até 2 anos

    Nessas situações, o imposto pago anteriormente será considerado no cálculo do ganho de capital, corrigido pela taxa Selic.

    Regularização patrimonial oportunidade e riscos

    A segunda modalidade do programa é a regularização de bens ou direitos não declarados, ou declarados com omissões ou incorreções essenciais.

    A adesão implica:
    Confissão irrevogável dos débitos;
    Remissão de juros e multas anteriores, desde que o pagamento seja feito conforme as regras do programa.

    É obrigatório comprovar a origem lícita dos bens e manter toda a documentação por 5 anos, para eventual apresentação à Receita Federal.

    Declarações falsas podem gerar:
    Exclusão do REARP
    Cobrança integral dos valores
    Penalidades administrativas, civis e criminais

    Prazos e adesão ao REARP

    O contribuinte deve ficar atento ao prazo:
    A adesão é permitida por 90 dias a contar da publicação da lei, mediante entrega da declaração de opção e pagamento — total ou parcelado.

    O parcelamento pode ser feito em até 36 parcelas mensais, aumentando a acessibilidade para quem busca atualizar ou regularizar seu patrimônio.

    A declaração deve conter:
    Identificação dos bens
    Valor original
    Valor atualizado
    Informações necessárias à comprovação

    Por que o REARP exige atenção imediata

    A lei estabelece benefícios, mas também limitações rigorosas. A adesão precipitada, sem análise prévia, pode resultar em custos desnecessários, perda de benefícios ou risco de autuação.

    Entre os principais pontos de atenção estão:
    Impacto futuro no cálculo do ganho de capital
    Necessidade de documentação completa
    Prazo curto para adesão
    Impossibilidade de utilizar o imposto pago como despesa
    Risco de exclusão por erro ou omissão

    Conclusão

    O REARP representa uma oportunidade relevante para ajustar o valor de bens ou regularizar situações patrimoniais pendentes, mas demanda avaliação cuidadosa. Pessoas físicas e jurídicas precisam analisar se a adesão realmente traz benefícios tributários e qual será o impacto de longo prazo, especialmente em eventuais operações de venda.

    A orientação especializada é fundamental para conduzir o processo de forma segura, evitando inconsistências e garantindo conformidade com todas as exigências da Lei nº 15.265/2025.

    Tributação dos Dividendos

    A nova lei 15.270/2025 institui o IRPFM, altera a tributação dos dividendos acima de R$ 50 mil mensais e cria a tributação anual das altas rendas. Veja o que muda e quem será impactado.

    Por Matheus B. F. Piccinin*

    Reforma Tributária da Renda e o novo IRPFM

    Aproveitando o “boom” da Reforma Tributária do Consumo, em paralelo, vem acontecendo a Reforma Tributária da Renda.

    Na última semana (26/11/2025), foi sancionada a Lei n° 15.270/2025, que traz uma série de novidades para o imposto de renda, instituindo o IRPFM – Imposto de Renda Pessoa Física Mínimo para os dividendos e as altas rendas, bem como a isenção para aquelas pessoas físicas que possuem uma renda de até R$ 5 mil.

    Desde janeiro de 1996, os lucros e dividendos eram isentos de retenção do imposto de renda. Essa foi uma medida aplicada para evitar a bitributação, tendo em vista que o lucro já era tributado na pessoa jurídica antes da efetiva distribuição dos dividendos ao sócio, com uma alíquota combinada de 34% (25% de IRPJ e 9% de CSLL).

    Instituição do IRPFM para lucros acima de R$ 50 mil

    No entanto, sob a justificativa de necessidade de se adequar aos padrões internacionais de tributação, visto que o Brasil é um dos únicos países que isenta a distribuição de lucros, é que foi instituído o IRPFM.

    O imposto será aplicado à pessoa física que receber lucros e dividendos de uma mesma pessoa jurídica em montante superior a R$ 50 mil em um mesmo mês, sujeitando-se à retenção na fonte do imposto à alíquota de 10% sobre o total do valor pago, vedando-se qualquer dedução da base de cálculo.

    Os lucros e dividendos apurados até o final de 2025 não se sujeitam ao IRPFM, desde que a distribuição tenha sido aprovada até 31 de dezembro de 2025, e o pagamento ocorra entre 2026 e 2028, observando-se a legislação empresarial e o ato de aprovação realizado até o final de 2025.

    Portanto, é muito importante que as empresas que queiram se antecipar e ainda aproveitar da isenção da distribuição de dividendos, realizem atas e as registrem na Junta Comercial para dar validade ao documento de aprovação, evitando-se questionamentos futuros por parte da Receita Federal.

    Tributação Anual das Altas Rendas a partir de 2026

    Além da tributação dos dividendos, a partir de 2026, também será instituída a Tributação Anual de Altas Renda.

    A medida atinge a pessoa física que tenha rendimentos anuais somados acima de R$ 600 mil, sujeitando-se ao mesmo IRPFM citado acima.
    Neste caso, não haverá retenção na fonte do imposto, mas a tributação se dará através da Declaração de Ajuste Anual – DAA.

    Diferente dos dividendos, a Tributação Anual de Altas Rendas conta com possíveis deduções, como por exemplo:
    i) operações sujeitas à tributação exclusiva;
    ii) ganhos de capital;
    iii) valores recebidos por doação ou herança;
    iv) remuneração decorrente de LCI, LCA, CRI, CRA, FIIs, Fiagro e outros títulos mobiliários.

    Assim, pessoas que receberem rendimentos acima de R$ 1.2 milhão estarão sujeitas à alíquota de 10%.
    Para rendimentos entre R$ 600 mil e R$ 1.2 milhão, a alíquota crescerá linearmente de 0% a 10%, aplicando-se a fórmula:

    Alíquota % = (RENDIMENTOS / 60.000) – 10

    Exemplos:
    • Quem recebeu R$ 600.000,01 terá alíquota de 1,66%.
    • Quem recebeu R$ 900.000,00 terá alíquota de 5%.

    Importante ressaltar que o IRPFM não será um acréscimo ao imposto de renda já cobrado pela tabela progressiva. Após apurado o valor mínimo do imposto, a lei autoriza que o contribuinte realize deduções referente ao IR que eventualmente já tenha sido recolhido (inclusive, aquele IRPFM retido antecipadamente de 10% sobre lucros e dividendos que exceder R$ 50 mil no mês). 

    A regra é clara: o valor mínimo somente será cobrado quando o imposto total suportado pelo contribuinte, no ano, ficar abaixo do piso calculado. Ao final, o montante remanescente será somado ao resultado do ajuste anual, compondo o saldo do IRPF a recolher ou a restituir.

    Isenção do IRPF para rendas até R$ 5 mil

    Por fim, a lei também isenta os rendimentos tributáveis de até R$ 5 mil.

    Além disso, haverá um “alívio” para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mil, com um desconto progressivo que reduz até zerar para rendimentos superiores a R$ 7.350 mil.

    Com isso, seguimos atualizados sobre o mundo tributário, especialmente no que tange à Reforma Tributária do Consumo e da Renda.

    Crédito do autor

    Matheus Belisario Facco Piccinin – OAB/PR n° 100.229 – Sócio no escritório Motta Santos & Vicentini Advocacia Empresarial.

    Regra de concorrência sucessória estabelecida no pacto antenupcial tem sua validade reconhecida pelo judiciário

    Tribunal reconhece a validade de cláusula em pacto antenupcial que renuncia à concorrência sucessória. Entenda o precedente e seus impactos no Direito Sucessório.

    A maior liberdade do patrimonialista de exercer a sua autonomia de vontade, por vezes é tolhida pela legislação Civil. A proibição da pacta corvina, disposta pelo artigo 426 do Código Civil, estabelece que a herança de pessoa viva não pode ser objeto de contrato, considerando nula de pleno direito, a delibação nesse sentido, por violar o princípio da indivisibilidade da herança. 

    Para o Direito, a herança só se concretiza e se torna um bem jurídico no exato momento do falecimento do titular do patrimônio, ocasião em que ocorre a abertura da sucessão. Antes do evento “morte”, existe tão somente o patrimônio e a lei proíbe quaisquer acordos ou contratos que tenham por objeto a herança alguém que ainda está vivo. 

    Em recente decisão, o Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, ao analisar a controvérsia em torno de cláusula estabelecida no pacto antenupcial, por meio da qual os cônjuges, casados sob o regime da separação convencional de bens, renunciaram reciprocamente ao direito de concorrer na sucessão com descendentes e ascendentes, reconheceu a validade da avença, confirmando a cláusula contratual. 

    O caso envolveu o falecimento do marido, sem deixar filhos e o pedido de abertura de inventário pelos seus genitores (ascendentes), sem a inclusão da viúva sobrevivente. Ela, por sua vez, pleiteou sua admissão como herdeira, sustentando a nulidade do pacto antenupcial por violação ao contrato de herança de pessoa viva, na forma do artigo de lei aqui mencionado. 

    A tese da viúva foi rechaçada pelo Tribunal Estadual, sob o fundamento de ausência do objeto típico vedado pelo artigo 426, do Código Civil. A Corte julgadora entendeu que a renúncia prevista no pacto não se referiu a transação sobre herança futura, mas apenas a delimitação e condição do direito de concorrência da cônjuge supérstite, na existência de descendentes ou ascendentes, concluindo pela validade da cláusula em observância à autonomia da vontade, à boa-fé e ao respeito ao que fora livremente convencionado pelos cônjuges em vida. 

    A decisão traz a distinção entre o pacto corvina e a renúncia concorrencial que excluiu a viúva de concorrer com os pais do marido na sucessão e representa um importante precedente e avanço para os planejamentos patrimoniais e para o Direito Sucessório, em sintonia a melhor interpretação da lei, prestigiando, de um lado, a compreensão da liberdade dos nubentes de se autodeterminarem e exercerem a sua autonomia privada na regulamentação do seu planejamento familiar e patrimonial e, de outro, a vedação ao comportamento contraditório  – venire contra factum proprium. 

    O pacto antenupcial caracteriza um instrumento essencial aos nubentes para disporem de maneira livre e esclarecida, o desejo e as regras que regerá a vida em conjunto, carregando consigo dimensão mais ampla e de extrema importância para além da mera definição e divisão patrimonial, guardando os valores e aspectos existenciais daquele casal.  

    Regras bem definidas e construídas com o auxílio de um advogado especialista, traduz maior segurança jurídica e assertividade para que o pacto antenupcial seja o efetivo garantidor das legítimas expectativas presentes e futuras de ambos os cônjuges, com a validade das questões nele dispostas. 

    * Mirielle Netzel Adami é advogada e sócia do Escritório Motta Santos & Vicentini.

    Regimes especiais de tributação: estratégias para a eficiência empresarial

    Descubra como os regimes especiais de tributação otimizam a carga fiscal, aumentam a segurança jurídica e geram eficiência estratégica para as empresas.

    Você sabia que sua empresa pode estar pagando mais impostos do que deveria? Poucos empresários conhecem os regimes especiais de tributação, mecanismos legais que permitem diferir pagamentos, reduzir alíquotas ou até suspender tributos em operações específicas.

    O que são regimes especiais de tributação?

    Os regimes especiais de tributação são sistemas diferenciados previstos na legislação fiscal que oferecem condições especiais a determinados setores, atividades ou empresas.

    Ao contrário do regime comum, eles foram criados para estimular investimentos, facilitar operações e aumentar a competitividade.

    Entre os exemplos mais aplicados no Brasil estão:

    • REIDI (incentivo a infraestrutura)
    • RET (regime para incorporações imobiliárias)
    • RECOF (empresas exportadoras)
    • Regimes estaduais de ICMS, que permitem suspensões ou reduções em situações específicas

    Benefícios da adoção de regimes especiais

    Adotar corretamente esses regimes pode gerar ganhos expressivos, como:

    • Otimização da carga tributária: uso legal de incentivos fiscais previstos em lei
    • Simplificação de processos internos: menos complexidade nas obrigações fiscais
    • Previsibilidade e segurança: mais clareza no planejamento financeiro e estratégico

    A importância da análise personalizada

    Cada empresa tem particularidades, setor de atuação, porte, objetivos estratégicos. Por isso, a aplicação dos regimes especiais de tributação deve ser feita de forma personalizada, com acompanhamento especializado.

    Mais do que uma obrigação fiscal, eles são ferramentas de competitividade. Ignorá-los pode significar abrir mão de oportunidades de economia e eficiência.

    Com o apoio de especialistas, sua empresa pode transformar a gestão tributária em um diferencial de mercado, aproveitando ao máximo os benefícios que a legislação permite.

    Efeitos da Reforma Tributária no Agronegócio: desafios e oportunidades

    Saiba como a Reforma Tributária pode afetar custos, competitividade e planejamento fiscal do agronegócio, e descubra como se preparar estrategicamente

    O agronegócio é um dos setores mais estratégicos da economia brasileira, responsável por grande parte das exportações e do PIB do país. Com a proposta de Reforma Tributária em discussão, empresários do setor devem se preparar para mudanças significativas que podem impactar custos, competitividade e planejamento fiscal.

    Entender esses efeitos é fundamental para tomar decisões estratégicas e manter a sustentabilidade do negócio diante das alterações tributárias.

    Principais mudanças da Reforma Tributária

    A Reforma Tributária propõe alterações em diferentes impostos que afetam diretamente o agronegócio, como:

    • ICMS: ajustes na cobrança interestadual podem impactar o preço final de produtos e logística.
    • PIS/Cofins: mudanças na base de cálculo podem alterar a carga tributária sobre insumos e produtos industrializados.
    • Unificação de tributos: a criação de um imposto sobre valor agregado (IVA) pode simplificar, mas também gerar desafios de adaptação.

    Essas mudanças exigem que produtores e empresas do setor recalculem custos, revisem contratos e ajustem a gestão financeira.

    Impactos no agronegócio

    Alguns dos efeitos esperados incluem:

    • Aumento de custos operacionais: mudanças na tributação de insumos e produtos podem reduzir a margem de lucro.
    • Competitividade: empresas que não se adaptarem rapidamente podem perder espaço no mercado interno e externo.
    • Planejamento fiscal: será necessário um acompanhamento jurídico e contábil mais detalhado para aproveitar incentivos e reduzir riscos.

    Como se preparar para a Reforma Tributária

    Empresas do agronegócio podem adotar algumas estratégias para minimizar impactos negativos:

    • Revisão de contratos e planejamento tributário: adequar contratos de fornecimento e venda às novas regras.
    • Consultoria especializada: contar com advogados e contadores para interpretar corretamente as mudanças.
    • Gestão de custos e eficiência operacional: identificar oportunidades de redução de custos para manter a competitividade.
    • Monitoramento contínuo: acompanhar as discussões legislativas e as publicações oficiais sobre a Reforma Tributária.

    Oportunidades para o setor

    Embora a Reforma Tributária traga desafios, ela também pode gerar oportunidades, como a simplificação tributária, o planejamento estratégico em empresas que se anteciparem, além da inovação e eficiência para otimizar processos internos e se adaptar às novas regras.

    Contar com uma consultoria jurídica especializada é o caminho para garantir segurança, conformidade e estratégias eficientes que preservem a rentabilidade e a competitividade do negócio.